Sim, hoje eu bebi, e sim, estou bebendo agora.
E fumando.
E delirando.
E me perguntando, encasquetanto, os motivos que te trazem pra mim.
Sei quais são, amizade, amor, carinho, respeito, cuidado.
Mas que porra de vida essa minha.
Por que eu tenho então que conviver contigo, se eu te odeio.
Por que tenho que conviver com tua pena, teu sarcasmo, com tua compaixão.
Não quero tua compaixão, quero teu corpo, teu coração.
Quero teu peito, teu óculos, teu desejo.
Quero tuas pernas,
quero erva, quero fogo, quero metal.
Tuas coxas e tuas curvas.
Não quero tua amizade, não te quero como grande amiga, não preciso disso.
Preciso do teu amor.
Preciso ser a tua vida.
Tenho sede de ti.
Das tuas teorias malucas de buracos negros.
Eu não entendo nada sobre isso.
Mas por que então me interessa tanto quando tu falas?
Por que o sol e o heliocentrismo ficam tão atraentes na tua boca.
Por que tudo que tu falas, essas coisas nerds e que não me importam se transformam em algo grandioso...
Por que vens a minha casa?
Por que és minha amiga.
Não te quero assim.
Quero te ter.
quero aliança.
Por vens até mim e me abraças?
Não quero teu abraço!
Quero bebidas e cigarros!