sábado, 25 de fevereiro de 2012

O que se vê em uma dança

Quando me aproximei e a vi, me perdi. Claro, quem não se perderia, quem resistiria, seu olhar, sua pele, seu sorriso, deus o que era aquela mulher. Como me pedes controle, não existe controle diante de tamanha beleza insinuante. Me desperta certa brutalidade, certa agonia, descobri que precisava possui-la no momento que a vi.
Com cautela me aproximei, senti sua indiferença, mas notei que não a sustentaria por muito tempo. A chamei para um drink, ela se recusa, penso que devo desitir, mas quando ela move os cabelos o perfume que exala penetra nas minhas narinas e me faz louco.
Fiquei de pé ao seu lado, outras mulheres apagadas diante de tamanha beleza passam por mim, se insinuam, jamais eu resistiria a elas, mas diante de uma deusa jamais poderia.
Muito tarde e muitas doses depois a convenço a uma dança, vou com ela até o centro onde outras pessoas ensaiavam o ato sexual em disfarce de dança. Ela me seduzia com o olhar, com os lábios, tocava seu próprio corpo, como que em uma lição para que mais tarde quando estivermos na cama eu recorde onde e como devo fazer e o que devo fazer. Penso que é justamente para isso que serve a dança, para que tenhamos uma prévia do que possa vir mais tarde. E ela sabia muito bem fazer uso de tal artifício. Sua roupa de tons escuros fazia parte do pacote que me deixava louco. Já não queria mais aquele ensaio, queria levar-lhe para qualquer outro lugar onde não tivesse público, a menos que ela não se importasse com público.
Enquanto ela dançava me mostrando toda a sua sensualidade e de tudo que era capaz minha mente divagava  por entre as suas pernas bronzeadas. A vontade de penetrá-la só não era maior que a vontade de vê-la satisfeita. Ver seu rosto contraído de prazer. Sentir sua pele arrepiar ao leve toque por baixo de sua blusa, chegando lentamente até encontrar seu seio, e ali me perder um pouco. E sem a mínima pressa tocar seus mamilos, devagar e firmemente sentir que ela me deseja. Brincar com seu corpo como se fosse próprio pra isso.
Passar com minhas mãos quentes pelas suas pernas, subindo até que ouça seus suspiros. Encontrar os recôncavos do seu prazer e permanecer ali, até que ela vá ao máximo e complete um êxtase descomunal. Sentir que ela m quer, esperar que peça pela minha presença, ouvir na sua voz a urgência, a ânsia por mais de mim e aí sim, dar-me a esta mulher que me enlouquece e ceder, presenteá-la com tudo o que desejar, fazer de mim seu escravo e de meu corpo seu brinquedo.
Enquanto realizo tudo isso na minha mente ela ainda está dançando.

Sim, tu és minha utopia

No taxi que me trouxe até aqui o silêncio me tirava a razão.
Me tirava assim como seus cabelos longos e brilhantes me tiram a razão.
O tom avermelhado, a tua pele morena, teu corpo esguio.
Teu sorriso largo, tuas covinhas, tuas pernas, teus braços finos, teu olhar convidativo, por que aconteceu comigo? Por que com ela?
Não tive orças, por que simplesmente não a tenho, nunca tive e possivelmente nunca terei, não tenho controle também. Só me perco nas suas linhas, no seu traçado fino , ela foi esculpida pelo maior dos artistas.
Não quero colocar os pingos nos is, não quero mais ser compreendido, se eu for aceito já é o bastante.
Também não quero reinventar a vida, quero ser o que sou, dar continuidade, agora com moderação.
Eu a quero, mas não quero que ela me queira.
Sonho com o dia em que de fato colocarei as mãos em seu corpo, com o cheiro, qual será o cheiro de uma deusa?
Ela é minha utopia, é minha lenda urbana, eu preciso dela, preciso te-la como um sonho, não a quero real, ela não é real, é fruto da minha fantasia, se fosse real já teria desistido de mim, é o que as reais fazem, ou será esse mais um dos diferenciais dela.
É uma deusa e deusas não servem para ser tocadas.
Mas se eu profanasse a vida, apenas mais uma vez.
Não haveria total profanação se o ato fosse limitado?
E se eu apenas a tocasse, com as mãos, sentido sua pele, lentamente, pouco  a pouco, sentido seu arrepio, se eu a tocasse apenas uma vez, a mia luz, onde ninguém pudesse nos ver...
E se eu a tocasse apenas com a ponta dos dedos, ainda seria profanação?
Não se faz necessário meu corpo, só a força do seu próprio desejo, só a força da sua própria luz que no momento encontra-se perdida.
E se só por um momento eu pudesse dar prazer a ela, e se somente por um instante eu a tocando a fizesse tremer, a proporcionasse algo de bom.
Queria muito causar-lhe sensações, queria muito querer dançar meus dedos pelos recantos das suas linhas, queria sentir, apenas sentir a sua pele, juro que não faria mais nada que a profanasse.
Mas é sua divindade que me traga mais e mais para dentro das nuvens do desejo, e que me cegam, e que me fazem profano.