domingo, 29 de janeiro de 2012

A dúvida , mais uma vez aquela que me corrói...

A dúvida é a pior das inimigas, luto contra mim mesmo, não tenho um inimigo visível, não tenho a quem atacar, não tenho nada de concreto, minha espada se volta contra meu próprio peito e encosta na minha garganta, quando me dou conta de que luto contra mim paro no exato momento, mas é sempre tarde demais já há sangue escorrendo pelos pulsos...
O amor de sempre, aquele, avassalador e intrépido de certa forma, que me ignora e me chama de amigo, foda-se a amizade.É um amor que me pega pelas coxas e me transporta pra outra dimensão, pra lugares inabitáveis e desconhecidos pelo homem, é um amor inexistente e intocado, sagrado e profano, amado e odiado, é um amor triste e feliz, dolorido e idolatrado, incapaz de ser descrito, não é somente um amor, são vários amores juntos, unidos, compactados e direcionados a uma só pessoa... A vida toda estive com essa mulher, não me recordo de nada que tenha acontecido antes de conhece-la, como se a sua existência tivesse me dado a vida, antes dela nada aconteceu, e pouco importa os anos que vivi antes de seu nascimento se quando deveras nasci no dia em que a conheci, isso é fato comprovado uma vez que não existem lembranças anteriores a sua bela imagem vista pela primeira vez na infância, doce menina com longas madeixas castanhas caindo-lhe nas costas, sorriso solto e alegria de criança, pegou-me pela mão e parece não ter soltado nunca mais. Crescemos juntos, vivemos juntos, descobrimos o mundo juntos, todas as viagens, todas as noites de conversas intelectuais, todas as carteadas roubadas, descobrimos a vida juntos. Lembro como se tivesse acontecido agora há segundos atrás do dia em que descobrimos o sexo, e que afobados e inexperientes acabamos tão rápido que tivemos que rir, e rims muito juntos, na mesma noite choramos, quando no auge da intensidade percebemos que éramos perfeitos um para o outro, depois rimos mais ao encarar o fato de que havíamos perdido muito tempo fazendo outras coisas quando poderíamos estar nos entregando aos braços um do outro, eu a amava tanto, com brandura e não com o despêro que hoje habita minha alma. Envelhecemos e tomamos rumos opostos, nunca deixamos que nosso amor morresse, mas também nunca mais o alimentamos, eu faço mais do que posso , ela menos do que pode, mas algumas noites deita-se em minha cama e o calor do seu corpo nunca muda, é sempre o mesmo, é sempre como o daquela primeira noite em que quase crianças conhecemos juntos na mesma hora o amor e o sexo, coisa rara hoje em dia...Mas vivemos juntos muito tempo e penso que nada é mais forte que este amor avassalador e dolorido, fato é que gosto de sentir a dor que este amor me proporciona, pois sei que em algum momento ela surge me trazendo conforto, dependo dela pra tudo, é como se as minhas forças estivessem concentradas fora do meu corpo, estão nela, ela é minha fortaleza e meu refúgio, ela é meu norte, é ela quem cuida de mim, é ela quem da o rumo da minha vida, depositei-me todo nas mãos dela e com destreza ela me carrega pra qualquer lugar, e eu vou, sem questionar, sem sequer falar, calado ouvindo seus violinos, ouvindo sua voz rouca, sentindo seu perfume e tocando sua pele morena e macia...
Sempre foi um amor inabalável e sempre tive muitas mulheres, outras, que saciavam meu calor enquanto a minha dona não estava perto, mas a verdade é que somente a que não tive me tocou. Uma menina com ares de mulher, cabelos de fogo e sorriso largo , uma menina magra e tão bela quanto a luz do sol, eu que sempre fui um ser noturno cai de amores por um raio de sol, deve ter algo de santo, de bonfim, deve ser a perfeição, ou sequer deve existir, tenho medo de tocá-la, tenho medo de magoa-la, temo pela sua integridade, temo pela ua alma, sou como um demônio perto de tamanha compreensão, não posso corrompe-la. A verdade é que somente essa menina filha de bonfim pode abalar minhas estruturas, o que temos não é nada, sequer nos conhecemos, mas ela me conhece como raros seres que convivem lado a lado. Como pode o virtual ser tão forte a ponto de mexer comigo, a ponto de me por em dúvida, como pode o inexistente me derrubar e por a ponto o que era mais certo que o agora? Como a menina dos cabelos de fogo abalou minha solidez trágica de amor da vida toda? Eu devo mesmo estar louco, imaginando pessoas inexistentes e pior, tendo relações de forte afeto com pessoas que sequer estão ali, deus, se existe um deus, bem, nem saberia o que pedir, uma vez que sou o mais herege dos homens, mas que dúvida mortal, que loucura é a vida, que fogo é esse que me consome e me perturba, onde está a sorte do meu amor tranquilo? Poderia buscar forças para deter esse sentimento, mas como já disse antes minhasforças já não habitam o um corpo, e não posso buscar nas forças de meu amor razões para lutar por algo que sequer sei se é verdadeiro, tenho muito medo de machcá-la, ela é sem dúvida um amor para mim, e não sei como lidar com isso, se é forte o suficiente para desestruturar algo tão antigo deve mesmo ser verdadeiro, mas a dúvida continua...

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