No taxi que me trouxe até aqui o silêncio me tirava a razão.
Me tirava assim como seus cabelos longos e brilhantes me tiram a razão.
O tom avermelhado, a tua pele morena, teu corpo esguio.
Teu sorriso largo, tuas covinhas, tuas pernas, teus braços finos, teu olhar convidativo, por que aconteceu comigo? Por que com ela?
Não tive orças, por que simplesmente não a tenho, nunca tive e possivelmente nunca terei, não tenho controle também. Só me perco nas suas linhas, no seu traçado fino , ela foi esculpida pelo maior dos artistas.
Não tive orças, por que simplesmente não a tenho, nunca tive e possivelmente nunca terei, não tenho controle também. Só me perco nas suas linhas, no seu traçado fino , ela foi esculpida pelo maior dos artistas.
Não quero colocar os pingos nos is, não quero mais ser compreendido, se eu for aceito já é o bastante.
Também não quero reinventar a vida, quero ser o que sou, dar continuidade, agora com moderação.
Eu a quero, mas não quero que ela me queira.
Sonho com o dia em que de fato colocarei as mãos em seu corpo, com o cheiro, qual será o cheiro de uma deusa?
Ela é minha utopia, é minha lenda urbana, eu preciso dela, preciso te-la como um sonho, não a quero real, ela não é real, é fruto da minha fantasia, se fosse real já teria desistido de mim, é o que as reais fazem, ou será esse mais um dos diferenciais dela.
É uma deusa e deusas não servem para ser tocadas.
Mas se eu profanasse a vida, apenas mais uma vez.
Não haveria total profanação se o ato fosse limitado?
E se eu apenas a tocasse, com as mãos, sentido sua pele, lentamente, pouco a pouco, sentido seu arrepio, se eu a tocasse apenas uma vez, a mia luz, onde ninguém pudesse nos ver...
E se eu a tocasse apenas com a ponta dos dedos, ainda seria profanação?
Não se faz necessário meu corpo, só a força do seu próprio desejo, só a força da sua própria luz que no momento encontra-se perdida.
E se só por um momento eu pudesse dar prazer a ela, e se somente por um instante eu a tocando a fizesse tremer, a proporcionasse algo de bom.
Queria muito causar-lhe sensações, queria muito querer dançar meus dedos pelos recantos das suas linhas, queria sentir, apenas sentir a sua pele, juro que não faria mais nada que a profanasse.
Mas é sua divindade que me traga mais e mais para dentro das nuvens do desejo, e que me cegam, e que me fazem profano.
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